Imunização infantil · Artigo

Vacina da gripe na criança e na gestante: as duas exceções do calendário

A vacina da gripe é anual e é uma dose só. Existem duas exceções a essa regra, e as duas ficam nas pontas da vida: a criança pequena que nunca se vacinou precisa de duas doses no primeiro ano, e a gestante vacina duas pessoas ao mesmo tempo. Este texto explica as duas situações, a idade mínima e o intervalo. Para mães, pais e gestantes.

Revisão técnica: Dr. Joelson Reis Ciacci · CRM-MG 18295 · RQE 10983
Publicado em 26/07/2026

Mulher grávida sentada ao lado de criança pequena em sala de espera de clínica, à luz natural, com os rostos suavemente desfocados
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A idade mínima é 6 meses, e ela existe por um motivo

A vacina da gripe não é aplicada antes dos 6 meses de vida. Não é excesso de cautela: abaixo dessa idade o sistema de defesa do bebê ainda não responde à vacina de forma consistente, e por isso ela não é licenciada.

Isso cria uma janela desprotegida nos primeiros seis meses, justamente quando um quadro respiratório pesa mais. É a idade em que a gripe mais leva bebê ao pronto-socorro e ao internamento.

Essa janela é o que a vacinação da gestante fecha, e é o motivo de as duas exceções aparecerem juntas neste texto. Uma resolve o que a outra não alcança.

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A exceção da criança: duas doses no primeiro ano

A regra geral é uma dose por ano. Para criança pequena que nunca se vacinou contra a gripe, a primeira temporada é diferente.

Criança de 6 meses a menos de 9 anos, em primeira vacinação, recebe duas doses, com intervalo de quatro semanas entre elas. A partir do ano seguinte, passa a ser uma dose anual, como para todo mundo.

O motivo é imunológico. Quem nunca teve contato com o vírus nem com a vacina não tem memória para reforçar. A primeira dose apresenta, a segunda consolida.

Duas coisas que geram erro na prática:

  • A conta é por histórico, não por idade. Criança de 7 anos que já se vacinou em anos anteriores faz uma dose. Criança de 7 anos que nunca se vacinou faz duas.
  • A partir dos 9 anos, é sempre uma dose, tenha se vacinado antes ou não.
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A exceção da gestante: duas pessoas em uma dose

A gestante é grupo prioritário, e por duas razões que se somam.

A primeira é ela mesma. As alterações da gestação, na respiração e na resposta imune, tornam a gripe mais propensa a evoluir mal do que fora desse período.

A segunda é o bebê. Os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e alcançam a criança, oferecendo alguma proteção nos primeiros meses de vida, quando ela ainda não tem idade para ser vacinada.

Não há trimestre proibido. A vacina pode ser aplicada em qualquer momento da gestação, e a orientação sobre o melhor momento sai do pré-natal.

Quem está amamentando também pode receber.

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O que a rede pública oferece e o que muda na rede particular

A comparação abaixo reúne o que muda entre os dois caminhos para esses dois públicos.

A faixa que costuma ficar de fora é a criança de 6 a 8 anos sem condição de risco. Ela ainda está na regra das duas doses se nunca se vacinou, mas não está na campanha pública.

Vacina da gripe para criança e gestante
Rede pública (SUS)Rede particular
Criança de 6 meses a menos de 6 anosContemplada na campanha, versão trivalenteContemplada, versão tetravalente
Criança de 6 a 8 anosFora da campanha, salvo grupo de riscoContemplada
GestanteContemplada na campanha, versão trivalenteContemplada, versão tetravalente
PeríodoCampanha anual, com data definidaAo longo do ano, conforme disponibilidade
Forma de acessoGratuita, na rede públicaParticular, em clínica de vacinação
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Quando vacinar a criança, e como planejar as duas doses

Quem vai fazer duas doses precisa contar quatro semanas entre elas, e isso muda o planejamento.

Começar cedo na temporada permite completar o esquema antes do pico de circulação do vírus. Começar tarde significa terminar já dentro dele. Não é impedimento, é um mês a menos de cobertura completa.

Se a segunda dose atrasar, o esquema não recomeça. Aplica-se a que falta e segue.

E a partir do ano seguinte a conta simplifica: uma dose por ano, sempre, porque a composição muda a cada temporada e a dose do ano passado não vale para este.

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Pode aplicar junto com as outras vacinas

O primeiro ano de vida já é cheio, e a pergunta prática é se cabe mais uma.

Cabe. A vacina da gripe pode ser aplicada na mesma visita que outras vacinas do calendário infantil. Não há necessidade de intervalo entre ela e as demais.

Na gestante, o mesmo vale. Ela pode ser aplicada junto com outras vacinas indicadas para o período, e a organização das aplicações sai do pré-natal.

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Quem não deve tomar, e o que esperar depois

Não deve ser aplicada em quem teve reação alérgica grave a um componente da fórmula ou a uma dose anterior. Diante de doença aguda com febre, a aplicação é adiada até a melhora.

Alergia ao ovo deixou de ser contraindicação para a Sociedade Brasileira de Imunizações. O caso continua sendo avaliado antes, mas já não impede a vacinação por si só.

Na criança, as reações mais comuns são locais, com dor e vermelhidão no local, além de febre baixa, irritabilidade e sonolência nos primeiros dias. São passageiras.

A vacina é inativada e não causa gripe. O mal-estar de alguns dias é a resposta do organismo à vacina, não a doença.

Na clínica · Dermocentro

Na Dermocentro, em Varginha, a indicação de qualquer vacina passa por avaliação médica antes da aplicação. Nessa avaliação entram o histórico de doses, as condições de saúde, os medicamentos em uso e o momento de vida de cada pessoa, e é isso que define o que se aplica ao seu caso. A aplicação é feita por equipe capacitada, em sala de vacinas com cadeia de frio monitorada.

Perguntas frequentes

Sobre este artigo

Não. Criança de 6 meses a menos de 9 anos em primeira vacinação recebe duas doses, com quatro semanas de intervalo. Depois passa a ser anual.

Uma. A regra das duas doses vale para quem nunca se vacinou, não para quem já tem histórico.

A partir dos 6 meses. Antes disso a vacina não é licenciada.

Pode. Não há trimestre proibido, e a orientação sobre o melhor momento sai do pré-natal.

Os anticorpos da mãe atravessam a placenta e alcançam a criança, oferecendo alguma proteção nos primeiros meses, quando ela ainda não pode ser vacinada.

Não. Aplica-se a dose que falta e o esquema segue.

Pode, tanto na criança quanto na gestante. Não é preciso intervalo entre elas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. A indicação de vacinas, o intervalo entre doses e as contraindicações são definidos individualmente, em consulta. As informações sobre imunizantes seguem as bulas aprovadas pela Anvisa e as recomendações das sociedades médicas brasileiras.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Imunizações (Calendários de Vacinação SBIm Criança e Gestante 2026/2027 e nota técnica sobre vacinas influenza no Brasil), Ministério da Saúde e Programa Nacional de Imunizações, Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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