Imunização do adulto · Artigo

Vacina da pneumonia no adulto: qual é qual e quem precisa de mais de uma dose

VPC13, VPC15, VPC20, VPP23. A vacina contra a pneumonia é a que mais confunde, porque existe em várias versões e nem todo mundo precisa do mesmo esquema. Este texto traduz os números, explica quem tem indicação por idade e por condição de saúde, e mostra em que situação uma dose resolve.

Revisão técnica: Dr. Joelson Reis Ciacci · CRM-MG 18295 · RQE 10983
Publicado em 23/07/2026

Mulher de cerca de 65 anos em pé junto a uma janela em ambiente de clínica, com o rosto suavemente desfocado
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A bactéria que vive no nariz e às vezes desce

O pneumococo é uma bactéria comum. O nome técnico é Streptococcus pneumoniae, e ela vive na garganta e no nariz de muita gente sem causar nada.

O problema aparece quando ela sai desse lugar. Descendo para o pulmão, causa pneumonia. Chegando ao ouvido ou aos seios da face, causa otite e sinusite. Atingindo o sangue ou as meninges, causa as formas graves, chamadas de doença pneumocócica invasiva, que incluem a infecção generalizada e a meningite bacteriana.

O que faz a bactéria sair do lugar costuma ser uma brecha: um vírus respiratório que passou antes, uma queda de imunidade, uma doença crônica descompensada, a idade.

É por isso que a pneumonia preocupa mais depois dos 60 anos. Não é que a bactéria fique mais forte. É que a defesa do organismo responde mais devagar, e o pulmão de quem já tem uma condição crônica tem menos margem.

Existem mais de noventa tipos de pneumococo, chamados de sorotipos. Nem todos causam doença grave com a mesma frequência, e é isso que explica a próxima seção.

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Por que existem tantas vacinas com números diferentes?

O número na sigla é a quantidade de sorotipos que aquela vacina cobre. Só isso.

VPC13 cobre treze. VPC15 cobre quinze. VPC20 cobre vinte. VPP23 cobre vinte e três.

Aí vem a pergunta natural: se a de 23 cobre mais, por que ela não é a melhor? Porque a diferença entre elas não está só na quantidade, está no tipo de tecnologia.

As conjugadas, que são as VPC, têm o antígeno ligado a uma proteína. Isso gera memória imunológica mais duradoura e funciona bem em criança pequena e em idoso.

A polissacarídica, que é a VPP23, cobre mais sorotipos, mas gera uma resposta de outro tipo, sem a mesma memória.

Por isso a orientação da SBIm é preferir as versões de maior cobertura entre as conjugadas, VPC20 ou VPC15, e usar a VPC13 quando as outras não forem possíveis. Os sorotipos adicionais que elas trazem, em especial o 3 e o 19A, estão associados à resistência a antibiótico e à maior parte dos casos graves no Brasil.

Uma informação prática e recente: segundo a SBIm, a VPP23 deixou de ser disponibilizada na rede privada. Na prática, isso simplifica a decisão de quem vacina em clínica particular.

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Quem tem indicação

Três grupos, com pesos diferentes.

A partir dos 60 anos. A vacinação contra a doença pneumocócica é recomendada como rotina. Não depende de ter doença nenhuma. Depende da idade.

Entre 50 e 59 anos. A indicação fica a critério médico. É a faixa em que a avaliação individual pesa mais, considerando histórico, profissão, convívio e condições de saúde.

Em qualquer idade, com condições de risco. Adultos com doenças que aumentam a vulnerabilidade à infecção pneumocócica têm recomendação independentemente da idade. Entram aqui, entre outras, doenças cardíacas e respiratórias crônicas, diabetes, doença renal, doença do fígado, ausência de baço ou baço com funcionamento comprometido, e condições que comprometem a imunidade.

Se você tem alguma dessas condições, esse é o dado que muda a conduta na avaliação. Vale chegar sabendo.

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O que a rede pública oferece e o que muda na rede particular

A comparação abaixo reúne o que muda entre os dois caminhos.

A rede pública mantém a vacina pneumocócica na rotina da criança e a disponibiliza para adultos em situações específicas definidas pelo Ministério da Saúde, entre elas pessoas com condições de risco e idosos residentes em instituições de longa permanência. O adulto saudável que mora em casa, mesmo depois dos 60, não está na rotina pública.

Vacina pneumocócica na rede pública e na rede particular
Rede pública (SUS)Rede particular
Rotina infantilVacina conjugada no calendário do bebêVersões de maior cobertura, conforme a idade
Adulto de 60 anos ou mais, saudável, vivendo em casaNão contemplado na rotinaContemplado, como recomendação de rotina
Idoso em instituição de longa permanênciaContemplado, conforme definição do Ministério da SaúdeContemplado
Adulto com condição de riscoEm situações definidas, parte delas pelos centros de referênciaContemplado, com avaliação individual
Adulto de 50 a 59 anos, saudávelNão contempladoA critério médico
Forma de acessoGratuita, na rede públicaParticular, em clínica de vacinação
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Quando basta uma dose, e quando são mais

Aqui está o ponto que mais confunde, e ele tem duas respostas.

Caminho de dose única. Uma dose de VPC20 resolve o esquema. É a opção mais simples e não exige retorno para completar.

Caminho sequencial. Começa com uma dose de VPC15, ou VPC13 na impossibilidade dela, seguida de uma dose de VPP23 de seis a doze meses depois, e de uma segunda dose de VPP23 cinco anos após a primeira.

Os dois caminhos são reconhecidos. O sequencial é mais longo, exige controle de intervalos por anos e depende da disponibilidade da VPP23, que a SBIm informa não estar mais na rede privada.

Duas regras que evitam erro comum: não se recomenda mais de duas doses de VPP23 ao longo da vida, e esta não é uma vacina anual. Diferente da gripe, ela não se repete todo ano.

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Já tomei alguma. E agora?

A caderneta muda a conduta, e este é o motivo de levá-la na avaliação.

  • Tomou duas doses de VPP23 e nenhuma conjugada. Há recomendação de uma dose de vacina conjugada, respeitando intervalo mínimo de um ano após a última dose de VPP23.
  • Completou o esquema sequencial com VPC15 ou VPC13 mais VPP23. Uma dose de VPC20 pode ser recomendada a critério médico, respeitando um ano da dose de VPP23 e dois meses da conjugada anterior.
  • Começou e não terminou. O esquema não recomeça. Ele é completado a partir de onde parou.
  • Não sabe o que tomou. Acontece bastante. A avaliação define a conduta com o que houver de registro, e na ausência dele considera a situação como não vacinado.
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Quem não deve tomar, e o que esperar depois

A vacina é inativada. Não contém bactéria viva e não tem como causar a doença.

É contraindicada em caso de reação alérgica grave a algum componente da fórmula ou a uma dose anterior. Diante de febre, a aplicação é adiada até a melhora. Quem tem alteração de coagulação ou usa anticoagulante precisa de avaliação antes, porque a aplicação é intramuscular.

Nos dias seguintes é comum haver dor, vermelhidão e inchaço no local, e às vezes dor no corpo e cansaço. Costuma ser passageiro.

Ela pode ser aplicada na mesma visita que outras vacinas do adulto, como influenza e a vacina contra o herpes-zóster. Resolver mais de uma na mesma ida à clínica é o que costuma fazer sentido para quem está atualizando a caderneta.

Na clínica · Dermocentro

Na Dermocentro, em Varginha, a indicação de qualquer vacina passa por avaliação médica antes da aplicação. O Dr. Joelson Reis Ciacci avalia o histórico de doses, as condições de saúde e o momento de vida de cada pessoa, e define o que se aplica ao seu caso. A aplicação é feita por equipe capacitada, em sala de vacinas com cadeia de frio monitorada.

Perguntas frequentes

Sobre este artigo

O número indica quantos sorotipos do pneumococo aquela vacina cobre. As de 13, 15 e 20 são conjugadas e geram memória imunológica mais duradoura. A de 23 é polissacarídica, cobre mais sorotipos mas com resposta de outro tipo. A escolha é definida na avaliação médica.

Depende do que foi tomado. Quem recebeu apenas a polissacarídica pode ter indicação de uma dose conjugada, respeitando intervalo. Quem completou o esquema sequencial pode ter indicação de uma dose adicional a critério médico. Leve a caderneta na avaliação.

Entre 50 e 59 anos a indicação fica a critério médico. A partir dos 60 ela é recomendada como rotina. Em qualquer idade, condições de saúde de risco antecipam a recomendação.

Não. Pneumonia tem várias causas, incluindo vírus e outras bactérias. Esta vacina protege contra a doença causada pelo pneumococo, que é a causa bacteriana mais comum de pneumonia adquirida na comunidade.

Sim. Ter tido pneumonia não garante proteção contra os outros sorotipos do pneumococo nem contra novos episódios. A indicação segue a mesma, definida em avaliação.

Não. Esta não é uma vacina anual. Uma vez completado o esquema indicado para o seu caso, não há reforço de rotina a cada ano.

Sim. A aplicação na mesma visita é possível e evita um retorno desnecessário. Vale conferir na avaliação quais outras vacinas estão pendentes na sua caderneta.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. A indicação de vacinas, o intervalo entre doses e as contraindicações são definidos individualmente, em consulta. As informações sobre imunizantes seguem as bulas aprovadas pela Anvisa e as recomendações das sociedades médicas brasileiras.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Imunizações (Calendário de Vacinação SBIm Adulto, Calendário de Vacinação SBIm Idoso e páginas das vacinas pneumocócicas conjugadas e polissacarídica 23-valente), Ministério da Saúde e Programa Nacional de Imunizações e Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Próximo passo

Dúvida sobre qual vacina se aplica ao seu caso?

Fale com a equipe da Dermocentro, clínica de vacinação em Varginha, pelo WhatsApp. A avaliação médica é feita na clínica, com o Dr. Joelson Reis Ciacci.

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