Vacina HPV no adulto: quem ainda pode tomar e quem já tomou precisa repetir
A vacina contra o HPV não é só para adolescente. Ela é registrada até os 45 anos, e o esquema muda conforme a idade em que a pessoa começa. Existe ainda uma recomendação que quase ninguém conhece: quem foi vacinado no posto, na adolescência, pode ter indicação de completar a proteção com a versão de nove tipos.
Revisão técnica: Dr. Joelson Reis Ciacci · CRM-MG 18295 · RQE 10983
Publicado em 23/07/2026

O que é o HPV, e por que quase todo mundo tem contato com ele
O HPV é o papilomavírus humano. Não é um vírus só, é uma família com mais de cem tipos, e cerca de quarenta deles infectam a região genital.
A transmissão é por contato direto de pele e mucosa, principalmente na atividade sexual. Não depende de penetração e o preservativo reduz o risco, mas não elimina, porque cobre apenas parte da área de contato.
O dado que muda a conversa no consultório é este: a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com algum tipo de HPV ao longo da vida. É comum, é silencioso e, na maior parte das vezes, o próprio organismo elimina o vírus sem que nada aconteça.
O problema está na minoria de casos em que a infecção persiste. Aí ela pode evoluir para lesões e, com o tempo, para câncer. Os tipos chamados de alto risco estão ligados ao câncer do colo do útero, da vulva, da vagina, do ânus e da orofaringe. Outros tipos, de baixo risco, causam as verrugas genitais.
Ter contato com o vírus não é descuido nem falha de ninguém. É a história natural de uma infecção muito frequente.
O que a vacina faz, e o que ela não faz
A vacina é preventiva. Ela ensina o organismo a reconhecer determinados tipos do vírus antes do contato.
A versão disponível na rede particular cobre nove tipos: 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. Ela está registrada para a prevenção de infecções persistentes, lesões pré-cancerosas e cânceres causados por esses tipos, além das verrugas genitais causadas pelos tipos 6 e 11.
Agora o que ela não faz, e isso precisa estar claro:
Ela não trata infecção que já existe. Quem já tem o vírus não elimina o HPV tomando a vacina.
Ela não substitui o rastreamento. O exame preventivo continua sendo feito no mesmo intervalo, com ou sem vacina.
Ela não cobre todos os tipos existentes. Nove tipos é bastante, é o que há de mais amplo disponível hoje, mas não é tudo.
E aqui está o ponto que faz a diferença para o adulto: ter tido contato com um tipo do vírus não significa ter tido contato com os nove. A vacina segue protegendo contra os tipos que a pessoa ainda não encontrou.
Quem pode tomar, e quantas doses
A vacina de nove tipos é licenciada no Brasil para pessoas de 9 a 45 anos.
O número de doses depende da idade em que a vacinação começa:
- Quem começa entre 9 e 19 anos: duas doses, com intervalo de seis meses.
- Quem começa com 20 anos ou mais: três doses, ao longo de seis meses.
O que o SUS oferece e o que muda na rede particular
A comparação abaixo reúne o que muda entre os dois caminhos.
| Rede pública (SUS) | Rede particular | |
|---|---|---|
| Versão disponível | Quadrivalente | Nonavalente |
| Tipos do vírus cobertos | Quatro | Nove |
| Faixa etária de rotina | 9 a 14 anos, com resgate até 19 | 9 a 45 anos |
| Esquema de rotina | Dose única | Duas doses até 19 anos, três doses de 20 a 45 |
| Adulto sem condição especial | Não contemplado | Contemplado dentro da faixa |
| Grupos especiais | De 9 a 45 anos, em situações definidas pelo Ministério da Saúde | Avaliação individual |
| Forma de acesso | Gratuita, na rede pública | Particular, em clínica de vacinação |
Tomei no posto quando era adolescente. Preciso tomar de novo?
Esta é a pergunta que mais surpreende quem chega ao consultório.
A vacina aplicada na rede pública protege contra quatro tipos do vírus. A disponível na rede particular protege contra nove. São cinco tipos adicionais, todos de alto risco.
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda o uso preferencial da versão de nove tipos e recomenda também a revacinação de quem foi vacinado anteriormente com as versões de dois ou de quatro tipos, justamente para ampliar a proteção aos tipos adicionais.
Ou seja: a vacinação feita na adolescência não foi desperdiçada nem está errada. Ela protege contra os tipos que cobre. A recomendação é sobre ampliar o alcance, não sobre corrigir o que foi feito.
O esquema da revacinação segue a idade atual da pessoa, não a idade em que ela foi vacinada da primeira vez. Quem hoje tem 28 anos e tomou aos 12 entra no esquema de três doses.
Se essa é a sua situação, vale levar a caderneta na avaliação. O registro das doses antigas muda a conduta.
Homem também toma
O HPV é tratado como assunto feminino, e isso deixa metade da população de fora de uma conversa que também é dela.
Nos homens, os mesmos tipos de alto risco estão associados ao câncer de pênis, ao câncer de ânus e ao câncer de orofaringe, que vem crescendo. Os tipos de baixo risco causam as verrugas genitais, que são frequentes e incômodas.
Há ainda o efeito indireto: homem vacinado interrompe a cadeia de transmissão.
A faixa etária e o esquema são os mesmos, de 9 a 45 anos. Não existe versão masculina e feminina da vacina.
Quem não deve tomar
A vacina é contraindicada na gestação. Não é uma vacina de vírus vivo, mas não há dados suficientes de uso nesse período, então o esquema é adiado. Se a gravidez acontecer no meio do esquema, as doses restantes ficam para depois do parto, e as já aplicadas continuam valendo.
Também é contraindicada em caso de alergia grave a algum componente da fórmula ou a uma dose anterior.
Quem está amamentando pode ser vacinada. Quem tem alguma condição que comprometa a imunidade precisa de avaliação individual, porque o esquema pode ser diferente.
Não é necessário fazer exame antes de vacinar. Não se pede sorologia nem preventivo para liberar a dose.
Na Dermocentro, em Varginha, a indicação de qualquer vacina passa por avaliação médica antes da aplicação. O Dr. Joelson Reis Ciacci avalia o histórico de doses, as condições de saúde e o momento de vida de cada pessoa, e define o que se aplica ao seu caso. A aplicação é feita por equipe capacitada, em sala de vacinas com cadeia de frio monitorada.
Sobre este artigo
A vacina é licenciada até os 45 anos. O benefício é maior quanto menor a exposição prévia, mas continua existindo para os tipos com os quais a pessoa ainda não teve contato. A indicação é definida em avaliação médica.
Sim. Ter contato com um tipo do vírus não significa ter contato com os nove. A proteção segue valendo para os tipos que ainda não foram encontrados pelo organismo.
Pode. A vacina não trata a infecção existente nem a lesão já instalada, mas protege contra os outros tipos cobertos. A conduta é definida em consulta.
Depende da idade em que você começa. De 9 a 19 anos, duas doses com intervalo de seis meses. De 20 a 45 anos, três doses ao longo de seis meses.
As doses anteriores ficam registradas, mas não substituem o esquema da versão de nove tipos, que segue a idade atual. Leve a caderneta na avaliação, porque o histórico muda a orientação.
Não. Não se exige preventivo, sorologia ou qualquer exame para vacinar. E a vacina não substitui o rastreamento, que continua no intervalo de sempre.
Não durante a gestação. O esquema é adiado para depois do parto. Se você começou o esquema e engravidou, as doses aplicadas continuam válidas e as restantes são retomadas depois.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. A indicação de vacinas, o intervalo entre doses e as contraindicações são definidos individualmente, em consulta. As informações sobre imunizantes seguem as bulas aprovadas pela Anvisa e as recomendações das sociedades médicas brasileiras.
Fontes:
Sociedade Brasileira de Imunizações (Calendário de Vacinação SBIm Adulto, página da vacina HPV9 e nota técnica sobre a introdução da nonavalente), Ministério da Saúde e Programa Nacional de Imunizações, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Instituto Nacional de Câncer.
Dúvida sobre qual vacina se aplica ao seu caso?
Fale com a equipe da Dermocentro, clínica de vacinação em Varginha, pelo WhatsApp. A avaliação médica é feita na clínica, com o Dr. Joelson Reis Ciacci.
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