Imunização do adulto · Artigo

Vacina do tétano no adulto: o reforço que pode incluir a coqueluche

O reforço contra o tétano vence a cada dez anos, e pouca gente lembra quando tomou o último. Na rede pública, esse reforço é feito com uma vacina que não tem o componente da coqueluche. Este texto explica o que muda quando o reforço inclui a coqueluche, quem tem indicação e como fica o esquema de quem não sabe o que já tomou.

Revisão técnica: Dr. Joelson Reis Ciacci · CRM-MG 18295 · RQE 10983
Publicado em 29/09/2026

Homem de cerca de 50 anos cuidando de plantas no terraço de casa, de perfil, com luvas de jardinagem
01

Três doenças, uma aplicação

A tríplice bacteriana do adulto, chamada de dTpa, protege contra difteria, tétano e coqueluche em uma única aplicação.

É uma vacina inativada. Não tem como causar nenhuma das três doenças.

As letras minúsculas da sigla indicam doses reduzidas de difteria e de coqueluche, ajustadas para adolescentes e adultos. É isso que a diferencia da versão infantil, usada nas vacinas combinadas do bebê.

A proteção que veio das vacinas da infância não dura a vida toda. Por isso o calendário do adulto prevê reforço.

02

O tétano não passa de uma pessoa para outra

O tétano é causado por uma bactéria que vive no solo, na poeira e em objetos contaminados. Ela entra no corpo por um ferimento, às vezes pequeno, como um corte no jardim ou um prego.

A doença não é transmitida de uma pessoa para outra. A proteção de cada um depende apenas da própria vacina.

Ter tido tétano também não deixa imunidade. Quem já teve a doença continua precisando da vacina.

A difteria ficou rara no Brasil por causa da vacinação. O reforço existe para que ela continue rara.

03

Por que a coqueluche entra na conversa do adulto

A coqueluche é uma infecção respiratória causada por bactéria. No adulto, costuma aparecer como uma tosse arrastada, que dura semanas e muitas vezes não é reconhecida.

No bebê de poucos meses, que ainda não completou as vacinas, a mesma infecção pode ser grave. Na maior parte das vezes, quem transmite é alguém de casa.

Em 2024, o Brasil confirmou 7.440 casos de coqueluche, o maior número em uma década. Em 2023 tinham sido 216. O Ministério da Saúde associa o aumento ao ciclo natural da doença, à retomada do convívio depois da pandemia e à queda das coberturas vacinais.

Ter tido coqueluche não protege para sempre. A recomendação de vacinar vale também para quem já teve a doença.

04

O que o SUS oferece e o que muda na rede particular

No reforço do adulto em geral, a rede pública usa a dupla adulto, chamada de dT. Ela protege contra difteria e tétano, e não tem o componente da coqueluche.

A tríplice do adulto está disponível na UBS para grupos definidos: gestante a partir da 20ª semana, puérpera que não tomou durante a gestação e profissional de saúde. Para esses grupos, a UBS é um caminho válido e gratuito.

Reforço contra o tétano na rede pública e na rede particular
Rede pública (SUS)Rede particular
Reforço do adulto a cada 10 anosDupla adulto, sem coquelucheTríplice do adulto, com coqueluche
Gestante, a partir da 20ª semanaTríplice do adulto, em cada gestaçãoTríplice do adulto, em cada gestação
Puérpera não vacinada na gestaçãoTríplice do adultoTríplice do adulto
Profissional de saúdeTríplice do adultoTríplice do adulto
Quem convive com recém-nascidoReforço com a dupla adulto, sem coquelucheTríplice do adulto, com possibilidade de antecipar o reforço
05

Quem tem indicação

Adolescentes e adultos, no reforço a cada dez anos. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda preferir a tríplice do adulto à dupla sempre que possível, para incluir a coqueluche.

Quem convive com recém-nascido. Pais, avós, babás e cuidadores. Nesse caso, a SBIm orienta considerar antecipar o reforço para cinco anos depois da última dose com componente da coqueluche.

Profissionais de saúde, pelo contato frequente com pacientes vulneráveis.

Gestantes. Uma dose em cada gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do que já foi tomado antes.

A apresentação aplicada na Dermocentro é indicada a partir dos 4 anos de idade, sem limite superior. Abaixo dos 4 anos, o calendário usa outra vacina.

06

Não sei quando tomei a última dose. E agora?

É a situação mais comum no consultório. A caderneta do adulto se perde, e o reforço passa sem ninguém perceber.

Esquema básico completo. Uma dose de reforço a cada dez anos.

Esquema incompleto. Uma dose da tríplice do adulto a qualquer momento, e a dupla adulto completa o que falta até somar três doses com componente do tétano.

Nunca vacinado ou sem registro. Uma dose da tríplice do adulto e duas da dupla adulto, com intervalo de dois meses e depois de quatro a oito meses.

A dupla adulto está disponível na UBS, e as doses feitas lá contam no mesmo esquema.

Qualquer registro ajuda. Caderneta antiga, cartão do posto, anotação de pronto atendimento. Cada dose registrada conta, e o esquema não recomeça do zero.

07

Quem não deve tomar, e o que esperar depois

A vacina não deve ser aplicada em quem teve reação alérgica grave a uma dose anterior ou a um componente da fórmula, nem em quem apresentou encefalopatia de causa desconhecida nos sete dias seguintes a uma dose anterior de vacina com componente da coqueluche. Diante de doença aguda com febre alta, a aplicação é adiada até a melhora.

As reações mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local. Braço dolorido por um ou dois dias é o relato mais frequente entre adultos. Dor de cabeça, cansaço e mal-estar também podem aparecer, e costumam passar em poucos dias.

Em caso de ferimento, a necessidade de uma dose naquele momento depende do tipo de ferimento e do tempo desde a última aplicação. Essa avaliação é feita no atendimento de urgência e não substitui o reforço de rotina.

Na clínica · Dermocentro

Na Dermocentro, em Varginha, a indicação de qualquer vacina passa por avaliação médica antes da aplicação. Nessa avaliação entram o histórico de doses, as condições de saúde, os medicamentos em uso e o momento de vida de cada pessoa, e é isso que define o que se aplica ao seu caso. A aplicação é feita por equipe capacitada, em sala de vacinas com cadeia de frio monitorada.

Perguntas frequentes

Sobre este artigo

A cada dez anos, depois do esquema básico completo. O reforço é uma dose única. Quem convive com recém-nascido pode ter indicação de antecipar esse reforço, e isso é definido na avaliação.

Para o adulto em geral, não. No reforço de rotina, a UBS aplica a dupla adulto, que protege contra difteria e tétano. A tríplice do adulto acrescenta a coqueluche. Para gestante, puérpera e profissional de saúde, a UBS oferece a tríplice.

Há indicação. Quem convive com recém-nascido está entre os grupos para os quais a SBIm recomenda a tríplice do adulto, com a possibilidade de antecipar o reforço. Vale organizar isso com antecedência, na avaliação.

Sim. A proteção deixada pela doença não é permanente, e a recomendação de vacinar vale também para quem já teve coqueluche.

Pode, respeitando no mínimo quatro semanas da última dose de dupla adulto. O médico avalia se vale antecipar, conforme o seu convívio e o seu histórico.

Depende do ferimento e de quando foi a última dose. Em ferimento, procure o atendimento de urgência, que avalia a necessidade naquele momento. O reforço de rotina é outra conversa, feita com calma na avaliação.

A reação mais comum é o braço dolorido por um ou dois dias, às vezes com vermelhidão e inchaço no local. Dor de cabeça e cansaço também podem aparecer e passam em poucos dias.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica. A indicação de vacinas, o intervalo entre doses e as contraindicações são definidos individualmente, em consulta. As informações sobre imunizantes seguem as bulas aprovadas pela Anvisa e as recomendações das sociedades médicas brasileiras.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Imunizações, Calendários de Vacinação SBIm 2026/2027 (adolescente, adulto e gestante), livreto de 20/07/2026, e separata de recuperação de doses em atraso de 26/06/2026. Bula da vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (acelular), tipo adulto, aprovada pela Anvisa. Ministério da Saúde, Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 e situação epidemiológica da coqueluche.

Próximo passo

Dúvida sobre qual vacina se aplica ao seu caso?

Fale com a equipe da Dermocentro, clínica de vacinação em Varginha, pelo WhatsApp.

Falar no WhatsApp

Dermocentro · Clínica Dermatológica Dr. Joelson Ltda · CNPJ 57.314.293/0001-07
Responsável Técnico Dr. Joelson Reis Ciacci · CRM-MG 18295 · RQE 10983
Licença Sanitária 535/2025